quarta-feira, 13 de abril de 2011

A morte e a morte de Quincas Berro D'água - Jorge Amado

Livrinho curto, para ser lido em uma tarde. No meu caso na hora do almoço e durante a volta para casa.
Peguei hoje de tarde na biblioteca municipal... já peguei outro junto porque vi que era fininho!
Divertido como só Jorge Amado sabe escrever...
Não faz muito tempo, o filme de mesmo título estava em cartaz nos cinemas, mas acabei não conseguindo ir assistir, ficou pouco tempo nas telonas e perdi a oportunidade.

Sinopse: Antes de se tornar o boêmio e cachaceiro Quincas Berro D'água, festejado por malandros e prostitutas das velhas ladeiras de Salvador, Joaquim Soares da Cunha, "exemplar funcionário da Mesa de Rendas Estadual, de passo medido, barba escanhoada, paletó negro de alpaca, pasta sob o braço". A virada existencial, que levou a familia a renega-lo deu-se aos cinquenta anos de idade.
Se um homem teve duas vidas tão contrastadas, nada mais justo que tenha também duas mortes. É nesse duplo óbito que Jorge Amado narra nesta novela deliciosa, que tangencia o fantástico sem perder o olhar aguçado para as particularidades da sociedade baiana.
Encontrado sem vida em seu quarto imundo numa zona deteriorada da cidade, Quincas "era um morto pouco apresentável, cadáver de vagabundo falecido ao azar, sem decência na morte". Começa então uma curiosa disputa em torno do falecido: sua envergonhada familia tenta restituir-lhe a compostura, vesti-lo e enterrá-lo como o honrado Joaquim Soares da Cunha; os amigos de copo e farra, bêbados no mais alto grau, dão-lhe cachaça no velório, despem-no dos trajes formais e fazem-no voltar a ser o velho Quincas Berro D'água.
Na prosa inebriante de Jorge Amado, a situação ganha uma atmosfera onírica, sem que se consiga distinguir o que é fato e o que é delírio etílico.
Publicada originalmente na revista Senhor, 1959, e depois incluída no livro Os velhos marinheiros - junto com o romance O Capitão-de-longo-curso-, A morte e a morte de Quincas Berro D'água se destaca como uma pequena obra-prima de concisão narrativa e poética, tida por muitos como uma das mais extraordinárias novelas da nossa língua.

3 comentários:

Patryk Melo disse...

pena que não conseguimos assistir ao filme no cinema, neh?!

=/

mas, teremos de ver!!!!

=]

bjos e te amo, barroca das leituras!!!

S2

railer disse...

também não vi o filme nem li o livro (ainda).

Cake disse...

o livrinho é bem legal, melhor ainda é saber que o quincas existiu mesmo, e q a brilhante habilidade do jorge amado de observar o mundo o trasnformou num personagem, morto e vivo vivo e morto, tudo ao mesmo tempo